Um estudo feito por pesquisadores da Unesp de Rio Claro com mais de 2,7 mil adultos de oito cidades paulistas constatou que a falta de exercícios na infância e na adolescência está associado a um maior índice de dislipidemia - gordura no sangue - na fase adulta. O problema se deve diretamente à ausência de atividade física regular em fases iniciais da vida.
A importância de começar a se exercitar desde cedo foi reforçada por outra constatação: para adultos que já sofrem com a doença e continuam sem praticar esportes, começar alguma atividade leve só agora, após o diagnóstico, não determinaria uma melhora importante neste tipo de doença.
A orientadora do estudo, Angelina Zanesco, professora do Instituto de Biociências da universidade em Rio Claro, diz que, para que a atividade física tenha resultados expressivos no controle da dislipidemia, é necessário que um educador físico prescreva uma série de exercícios de alto impacto.
“Quando você pensa em problemas da saúde cardiovascular, como a hipertensão, a caminhada é uma grande aliada. No caso da dislipidemia, para que o quadro apresente alguma melhora, além da medicação prescrita pelo médico, é necessário que se realize exercício combinado com atividades aeróbias e de musculação, por um mínimo de 3 meses a 6 meses.”
Conforme dados do Ministério da Saúde, o estado do Maranhão foi o único a apresentar o menor índice (30%) de sobrepeso em adultos. O Rio de Janeiro é o campeão - 46% de obesos adultos. Estudos mostram que estes índices são preocupantes, uma vez que existe uma associação do excesso de peso associado a diversas outras complicações além da dislipidemia, como a resistência à insulina e o diabetes mellitus tipo 2.
”A prática de atividade física regular melhora a hemodinâmica cardiovascular devido a uma maior produção de agentes relaxantes derivados do endotélio. Além disso, o exercício físico é eficaz em promover aumento da sensibilidade à insulina, alterações benéficas do perfil lipídico e redução de estresse oxidativo”, afirma a professora Camila Moraes, da Universidade de São Paulo, integrante de uma das mesas redondas que estão discutindo o assunto no 7º Congresso Internacional de Educação Física e Motricidade Humana e 13º Simpósio Paulista de Educação Física, que termina hoje, em Rio Claro.
Segundo o especialista em Medicina do Esporte José Kawazoe Lazzoli, membro da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBME), a dislipidemia é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. “Uma massa de gordura elevada aumenta o risco de hipertensão, diabetes, doença coronariana e alguns tipos de câncer”, afirma.
Dislipidemia e alimentação
Segundo a endocrinologista Lúcia Helena Bonalume Tácito, professora de endocrinologia da Faculdade de Medicina de Rio Preto, a dislipidemia pode ser combatida com mudança de hábitos alimentares e, claro, pondo fim ao sedentarismo, por meio da prática de exercícios físicos regulares, além da associação de tratamento medicamentoso, quando necessário.
Ela explica que a origem do problema não está simplesmente na alimentação, mas também numa alteração no metabolismo dos lipídeos. Portanto, além de mudança de hábitos, é necessário o uso de medicamentos que modifiquem esse metabolismo defeituoso.
A endocrinologista reforça que a doença aterosclerótica, por exemplo, tem início já na infância com uma evolução incerta dependendo das medidas adotadas desde o diagnóstico da dislipidemia. O tratamento deve ser contínuo, não devendo ser interrompido a cada exame no qual os valores se encontrem normalizados.
“Isto é muito comum de acontecer. O paciente acha que uma vez normalizados os níveis de colesterol e/ou triglicerídeos o tratamento torna-se desnecessário”, alerta.Entretanto, apenas no caso das dislipidemias secundárias o tratamento da causa de base pode melhorar ou até normalizar os níveis lipídicos. “A dieta é uma grande aliada, com diminuição da ingestão de gordura animal, restrição de carboidratos, podendo ser normal ou hipocalórica, dependendo do caso.”
Colesterol baixo demais é ruim
O uso excessivo de estatinas para baixar o colesterol também causa preocupação entre os médicos. Tanto que será motivo de conferência durante o Congresso Internacional de Prática Ortomolecular, que ocorre de 7 a 9 de junho, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo.
Segundo o médico gaúcho Juarez Callegaro, enquanto as pesquisas científicas estiverem focadas quase que exclusivamente na genética e na farmacologia tradicional, com pouca atenção para a bioquímica ou a neurobioquímica, permaneceremos distantes da melhor associação entre longevidade e qualidade de vida. “O modelo de pesquisa vigente massifica a atuação médica, induzindo a uma conduta ‘diagnóstico-droga’ em que, muitas vezes, não são considerados o indivíduo, seus hábitos de vida e as implicações neurobioquímicas”, diz.
O médico alerta que, embora o uso de estatinas já esteja consagrado para pacientes que apresentam descontrole do colesterol ruim, o risco está no excesso de uso das estatinas na busca desenfreada pelas menores taxas de colesterol total - relação entre HDL e LDL (colesterol “bom” e o “ruim”, respectivamente) e os triglicerídeos.
“Outro equívoco. O colesterol total muito baixo não favorece a produção de ocitocina, o hormônio que regula as emoções e a socialização e cuja carência está associada à depressão, por isso é preciso haver equilíbrio”, avisa.
Fonte: http://m.diarioweb.com.br/

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