terça-feira, 12 de julho de 2011

Sistema de Classificação funcional para atletas com paralisia cerebral

A paralisia cerebral é um grupo de sintomas incapacitantes permanentes, resultantes de dano às áreas do cérebro responsáveis pelo controle motor. É um problema não-progressivo que pode ter origem antes, durante ou logo após o nascimento e se manifesta na perda ou no comprometimento do controle sobre a musculatura voluntária. Apesar de ser uma condição que gera uma limitação funcional, assim como em qualquer outro tipo de deficiência, sempre há a possibilidade de se explorar a sua eficiência, ou seja, dentro da condição limitante existe sempre o potencial armazenado.

Como em qualquer outro tipo de atividade física, o desporto tem como objetivo a melhoria das condições físicas, orgânicas e das habilidades motoras voltadas para a realização da tarefa motora específica.

Porém, diferentemente do desporto regular, o desporto adaptado necessita de um processo de nivelamento, visto que as limitações dos atletas paradesportivos podem estar associadas à perda de funcionabilidade, devido às condições incapacitantes provenientes da deficiência e não tão somente às variáveis fisiológicas.


O classificador funcional, durante o processo classificatório, busca encontrar no atleta portador de paralisia cerebral, uma funcionabilidade, capaz de agrupá-lo em uma classe funcional. Na CP-ISRA, estas classes funcionais, ou seja, o perfil funcional são oito:

A. Classe Funcional 1: É o atleta tetraplégico, apresentando envolvimento severo nos membros e tronco, com grau de espasticidade de 4 a 3+. Os membros superiores e inferiores são considerados não funcionais com limitação severa de força, amplitude articular e coordenação. O tronco quase não possui controle dinâmico e estático. O atleta depende de cadeira de rodas motorizada para a sua locomoção. Pouca mecânica de movimento em situações de arremesso. Possui grande dificuldade de preensão e soltura de mão.

B. Classe Funcional 2: É o atleta tetraplégico, apresentando envolvimento de severo a moderado, nos membros e tronco, com grau de espasticidade 3+ a 3, com ou sem atetose. Pouca força nos membros e no tronco, porém é capaz de tocar (movimentar) a cadeira de rodas. O tronco possui controle estático razoável, porém o controle dinâmico é fraco. As mãos possuem envolvimento de severo a moderado, com preensão cilíndrica ou esférica, sendo capaz de manipular um objeto com dificuldade. Os membros inferiores podem demonstrar certo grau de funcionabilidade, permitindo a propulsão da cadeira de rodas pelas pernas.

C. Classe Funcional 3: É o atleta tetraplégico, apresentando envolvimento moderado, ou hemiplégico severo, podendo apresentar um membro superior dominante quase funcional. Pode ser um triplégico, com
dominância de um membro superior. Pode tocar (movimentar) a cadeira de rodas de forma independente. Controle de tronco dinâmico satisfatório, principalmente ao tocar a cadeira de rodas, porém apresenta dificuldades em retornar o tronco para uma posição mais ereta.

D. Classe Funcional 4: É o atleta diplégico, com envolvimento de moderado a severo. Membros superiores e tronco com limitação mínima. Membros inferiores com envolvimento de severo a moderado em ambas as pernas,7com grau de espasticidade de 4 a 3, sendo normalmente não funcional para a marcha em longa distância sem o uso de mecanismo de assistência (muletas, andadores). O tronco apresenta grau de espasticidade de 2 a 1, com limitação mínima de movimento. Os membros superiores apresentam freqüentemente funcionabilidade normal.

E. Classe Funcional 5: É o atleta diplégico com envolvimento moderado. Necessita de mecanismo de assistência (muletas, andadores) para andar, mas não necessariamente quando parado ou arremessando. A troca do centro de gravidade pode causar a perda do equilíbrio. O triplégico pode aparecer nesta classe. Os membros inferiores apresentam grau de espasticidade de 3 a 2. Pode ter função suficiente para correr em eventos de pista, no atletismo. Freqüentemente possui equilíbrio estático normal, porém apresenta complicações no equilíbrio dinâmico. Os membros superiores podem apresentar variações de comprometimento, sendo de moderado a mínimo.

F. Classe Funcional 6: É o atleta que apresenta atetose ou ataxia, com envolvimento moderado. A atetose é o fator de maior predominante nesta classe. O atleta pode andar sem a ajuda de mecanismo de assistência
(muletas, andadores). A ação dos membros inferiores pode variar de fraca até uma marcha claudicante. Movimentos cíclicos são executados de forma quase normal. O controle do equilíbrio corporal dinâmico é bom comparado com o equilíbrio corporal estático. A preensão e soltura da mão pode ser um fator negativo em esportes de arremesso.

G. Classe Funcional 7: É o atleta hemiplégico, que apresenta grau de espasticidade de 3 a 2 em uma metade do corpo. O atleta anda sem a ajuda de mecanismo de assistência (muletas, andadores), porém com um andar claudicante, devido à espasticidade do membro inferior. Na corrida pode apresentar piora, pela dificuldade em se elevar o calcanhar. Braço e perna sofrem restrições apenas no lado comprometido.

H. Classe Funcional 8: É o atleta com envolvimento mínimo, apresentando grau de espasticidade 1, podendo se caracterizar como hemiplégico ou 8 monoplégico. Neste tipo de atleta a percepção do déficit neurológico se torna difícil, necessitando uma análise mais detalhada do médico, a fim de se observar alterações funcionais em função deste déficit.

Na perspectiva desportiva, o atleta portador de paralisia cerebral pode participar das seguintes competições:
A. Bocha: participam atletas nas classes funcionais 1 e 2.
B. Ciclismo: participam atletas de todas as classes funcionais, de 1 a 8.
C. Atletismo: participam atletas de todas as classes funcionais, de 1 a 8.
D. Natação: participam atletas de todas as classes funcionais, de 1 a 8.
E. Race Runner: é uma variação do atletismo, onde os atletas correm se
apoiando em uma bicicleta de três apoio; participam atletas das classes funcionais 1 a 3.
F. Futebol: participam atletas das classes funcionais de 5 a 8.

Todo atleta portador de paralisia cerebral passará por este processo classificatório pelo menos duas vezes, independente do esporte desenvolvido. Todo atleta deve iniciar o seu processo classificatório pela classificação funcional regional (nacional), através de sua associação nacional, devendo seguir os princípios e
pressupostos do sistema de classificação funcional da CP-ISRA. É recomendado que os classificadores nacionais tenham passado por um curso introdutório da CP-ISRA. Em seguida, quando o atleta é convocado a representar o seu país pela primeira vez, este deverá passar um processo classificatório, chamado de classificação funcional internacional. Esta classificação é superior à classificação nacional e poderá, se for o
caso, manter ou alterar o nível inicial de classe do atleta. Os classificadores devem ter feito o curso de classificação funcional avançado da CP-ISRA.

Veja este vídeo explicando a bocha adaptada: 

Site interessante sobre o desporto para pessoa com paralisia cerebral, no site da ANDE.ORG você pode baixar regras dos jogos adaptados, classificações e muita informação sobre o desporto para pessoas com paralisia cerebral, vale a pena entrar.
http://www.ande.org.br/

Fonte/referencia: 
O SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO FUNCIONAL PARA ATLETAS
PORTADORES DE PARALISIA CEREBRAL
Prof. MsC Cláudio Diehl Nogueira
Professor Assistente do Curso de Educação Física da UCB
Classificador Funcional Sênior da ANDE e da CP-ISRA

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